O que você (realmente) precisa pra começar
- Ju quem fez

- 18 de set. de 2020
- 6 min de leitura
Vejo muitos perfis de empreendedorismo por aí querendo te fazer engolir uma lista de coisas a cumprir antes de começar seu negócio, e preciso te dizer, talvez eles não saibam tanto assim do que estão falando.
Não me leve a mal, orientações são sempre bem-vindas, ainda mais de pessoas da área (se você não concordasse com isso talvez nem estivesse lendo esse post, certo?). A questão é que precisamos ter muito cuidado com o que tem sido dito por aí. Afinal, será que faz mesmo sentido definir um manual de regras a ser seguido pelos iniciantes no empreendedorismo? Faz mesmo sentido supor que todas as trajetórias são iguais e só há um tipo de caminho a ser trilhado e BINGO! você chegou lá!? Será mesmo?
Pra te mostrar que você não precisa ficar tão desesperada assim pra começar seu negócio, vou te contar um pouquinho da minha história. Sou a prova de que começar sem ter um nicho definido, um propósito, uma logo, etiquetas, papelaria personalizada ou sei-lá-mais-o-que não é o fim do mundo e tá tudo bem! Nada mais propício para o primeiro post do nosso blog do que um sobre começos, não é mesmo?

meu primeiro cesto de crochê.
Pois bem, quando eu comecei no crochê eu nem pensava em empreender, eu cismei que queria um cestinho de fio de malha e resolvi tentar fazer eu mesma (essa história fica pra outro post). Quando eu percebi que curti essa coisa de fazer crochê, percebi que eu não tinha grana pra todos os fios que eu queria comprar pra fazer todas as peças que via no Instagram. Então, assim que me senti confortável e satisfeita com o resultado das minhas peças, resolvi abrir um perfil pra Ju quem fez. A ideia era vender essas peças e com o dinheiro que eu ganhasse poder alimentar meu novo hobby - seria basicamente esse ciclo de comprar fios - fazer as peças - vender - comprar fios ...
No começo lembro que juntei uns R$250 que eu tinha guardados e usei para comprar tudo em fio e algumas embalagens para entregar as encomendas, desenhei uma etiqueta com um logo improvisado e imprimi umas 20 na gráfica perto de casa. Nunca vou esquecer do dia que eu estava na Caçula (uma loja enorme de produtos de armarinho na minha cidade) e estava apavorada na fila do caixa com medo de nunca mais ver esse dinheiro e ter desperdiçado ele em fios que nunca iam virar encomendas - isso porque eu achava que ninguém ia querer encomendar comigo.

a primeira etiqueta da Ju quem fez.
Corta a cena pra 2 meses depois, eu começando a amar a coisa toda e uma chavinha virando na minha cabeça mostrando que aquilo poderia virar meu trabalho! Pra minha surpresa as pessoas quiseram sim encomendar comigo e aos poucos eu ia recebendo mais encomendas. E foi aí também que bateu o desespero, né? Percebi que se eu quisesse mesmo que aquilo virasse meu negócio algumas coisas precisariam mudar.
Então, decidi profissionalizar o que dava. Pedi ajuda pra um amigo que é publicitário, ele me deu algumas orientações e me ajudou a fazer um logo mais profissional (que aliás é o mesmo que uso até hoje, com algumas mudanças nas cores). Foi a primeira vez que estava ouvindo falar sobre coisas como persona e, sinceramente, era muita coisa pra assimilar naquele momento.
Resolvi seguir minha intuição e ir fazendo o que eu sentia que devia fazer até começar a assimilar tudo. O próximo passo foi fazer uma papelaria nova pra marca e começar a testar novas receitas de crochê pra adicionar produtos novos no catálogo. Também encomendei etiquetas personalizadas com esse novo logotipo - até então eu não tinha nada assim para as minhas peças. A essa altura eu já tinha recuperado aqueles R$250 (bem mais rápido do que eu imaginava) e ia começando a perder o medo de investir na Ju quem fez.

primeiras etiquetas para as peças.

nova papelaria da marca nessa fase de profissionalização.
Veja bem, até aqui vimos que não foi preciso ter um logo, uma persona definida, um nicho escolhido e muito menos uma papelaria de marca pra começar.
Então, bora continuar essa história!
Você percebeu que até agora, o propósito do meu negócio era sustentar meu hobby através das vendas das encomendas? Então! Nessa época eu ainda não tinha descoberto todo o potencial do crochê como um trabalho.
Uns 6 meses depois disso tudo que você ouviu até agora, era época de Black Friday e festas de final de ano, eu nunca tinha recebido tanto pedido de encomenda, chegava a estar assustada! Eu ouvia as pessoas me dizendo pra eu me preparar pra essas épocas, mas não acredita que era essa loucura toda - foi! Até que eu cheguei no famoso limite da artesã que é precisar fechar a agenda para encomendas, era impossível eu atender aquela demanda sozinha a tempo pro Natal. E isso me deixou muito frustrada. Depois que eu comecei a pegar gosto pela coisa, ter que recusar pedidos me deixou de mão atadas, eu senti que estava impedindo minha marca de crescer. Mas é óbvio que é humanamente impossível dar conta de todos os pedidos sozinha e de crescer minhas marca (do jeito que eu queria) apenas por encomendas.
Entendi que eu precisava expandir meu negócio, ainda não sabia como, mas eu ia definir isso assim que o ano virasse. Enquanto isso, eu comecei a gravar alguns vídeos ensinando o que eu tinha aprendido sobre crochê para compartilhar com quem estava começando, isso tinha virado meu hobby, já que naquele momento meu negócio era apenas vender minhas peças.
O ano virou e apareceu esse tal de corona vírus. Num primeiro momento achei que tudo tinha ido por água a baixo. Precisei parar de receber encomendas por conta do vírus e me vi em desespero com a situação.

arte que fiz nessa época pra lembrar que tudo é uma fase.
Lá pro final do segundo mês de quarentena comecei a ver algumas notícias mostrando que ramos da economia tinham crescido por causa da pandemia, e surpreendentemente o das artes manuais era um desses! As pessoas estavam interessadas em aprender coisas novas por não poderem sair de casa e muitas foram para o lado do artesanato. Foi aí que decidi: se tem negócios crescendo agora, o meu vai ser um deles também. E juntei o útil ao agradável: resolvi englobar no meu negócio o novo hobby que era ensinar, porque não?
Eu já estava amando fazer isso mesmo.
Junto a essa decisão comecei a acompanhar algumas lives sobre empreendedorismo e comecei a entender esses conceitos que esse povo fica dizendo que a gente precisa saber pra começar. Não estou dizendo que esses conceitos são inúteis, eles me ajudaram, no tempo certo, a entender e definir o que eu de fato queria pro meu negócio. A partir deles eu entendi que precisava me comunicar com quem eu realmente queria falar: as artesãs!
Não estou dizendo que se você já sabe o que quer, você deve ignorar isso, por exemplo: você já saber que quer trabalhar fazendo apenas bolsas a pronta entrega para mulheres executivas. O que eu estou dizendo é que não saber em que área você quer trabalhar, em que nicho, que persona ou faixa etária de cliente não são impeditivos pra você começar seu negócio!
Se lá naquela fila da Caçula tivessem me dito que eu ia amar ensinar crochê e falar sobre empreendedorismo, isso não teria feito o menor sentido pra mim! Tem coisas que a gente só descobre e entende com o tempo, se autoconhecendo. Tudo tem um tempo certo. Inclusive, não é porque você gosta de fazer uma coisa hoje que vai continuar gostando pro resto da vida! A vida não é imóvel, ela acontece, a gente muda, muda de opinião e tá tudo bem! Hoje, por exemplo, eu parei de receber encomendas por escolha, porque nesse momento ensinar me realiza muito mais como profissional. E isso vai ser diferente para cada uma de nós!
Se tem um conselho que eu posso te dar é esse: teste tudo o que puder no seu negócio, erre, teste de novo, acerte, ouça sua intuição! Quanto mais você tentar, testar e errar, mais vai se autoconhecer e entender o que gosta de fazer, o que não gosta, quais são seus objetivos e quais não são.
E se tem uma coisa que é a mais importante pra começar a empreender é essa: coragem. Há coisas reservadas especialmente para os corajosos. Não adianta nada você ter todas essas coisas que dizem por aí que são necessárias, toda essa listinha de conceitos cumprida e não ter coragem pra começar. Essa é definitivamente a parte mais difícil. O que passar disso você pode ir descobrindo e construindo com o tempo.
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Você se identificou com minha história de alguma forma? Me conta aqui nos comentários que eu vou amar saber! E não esquece, você não está sozinha nessa! Todas nós começamos de algum jeito!




Ju, já tem tempo que estou ensaiando pra fazer um Instagram da minha marca. Já escolhi o nome, fiz uma logo (bem simples, mas fiz), tirei algumas fotos das encomendas que fiz, mas o que está me faltando mesmo é bem isso...coragem! 😥😥 Ainda me sinto insegura, tenho medo de não atender as expectativas dos clientes e de não saber vender, precificar...
Oi ju, muito bom ler todos esses relatos, comecei agr na quarentena com o macrame e amo suas dicas e seu insta!! E realmente muito bom ver tantas artesãs juntas e nao se sentir sozinha nesse começo. Passei por essa situação da caçula tbm, gastei 300 reais e tava desesperada, até que hoje me vejo ainda com medo de algumas estapas, porem fazendo estoque de barbante spesso pra atender todos os clientes.
Adorei conhecer o seu começo!! Realmente aprender com experiência de outras pessoas ajuda bastante!! Sou da teoria que conhecimento se compartilha e se multiplica!! Estou amando seu site, recebi hj minhas comprinhas e estou doida para iniciar projetos que só serão possíveis pq vc dividiu tudo isso com a gente!! Deixo aqui o meu agradecimento!! Vc é uma fofa e eu desejo o seu sucesso!! Que vc se realize como profissional e que continue tendo ideias incríveis para dividir com a gente!! Juntas somos mais fortes!!! Beijinhos, Laís Teixeira (:
Ju, que lindo de ler sua trajetória, e como me sinto aliviada em saber disso tudo, agora deu um respiro aqui kkkk. Obrigada